Um professor de educação física que atuava na rede pública de ensino de Goiás teve o contrato encerrado após uma série de denúncias feitas por estudantes de uma escola localizada em Santo Antônio do Descoberto. O caso mobilizou órgãos de proteção, autoridades policiais e a Secretaria de Educação do estado.
Segundo informações apuradas durante as investigações, ao menos sete alunos relataram terem sido vítimas de situações consideradas constrangedoras envolvendo o profissional. Os relatos descrevem episódios ocorridos dentro do ambiente escolar, incluindo comentários de natureza sexual, insinuações inadequadas e comportamentos que teriam causado desconforto entre os estudantes.
Uma das alunas afirmou que o professor costumava fazer observações de cunho pessoal e comentários que extrapolavam a relação entre educador e estudante. Em um dos episódios relatados, a jovem contou ter sido alvo de uma insinuação que provocou constrangimento diante de colegas.
Outro estudante relatou que também passou por uma situação considerada inadequada durante o período escolar. Segundo o depoimento, o episódio provocou forte abalo emocional, levando o jovem a enfrentar dificuldades para frequentar as aulas. De acordo com o relato, o estudante chegou a apresentar crises de ansiedade após os acontecimentos.
Após tomar conhecimento das denúncias, o Conselho Tutelar adotou medidas de proteção voltadas aos alunos envolvidos. Entre as providências adotadas estão o encaminhamento para acompanhamento psicológico, o registro da ocorrência policial e a comunicação formal ao Ministério Público.
A investigação foi conduzida pela delegacia especializada responsável pelo atendimento a mulheres, crianças e adolescentes do município. Conforme informado pela autoridade policial responsável pelo caso, o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário para análise das medidas cabíveis.
Durante a apuração, os investigadores reuniram depoimentos e elementos que resultaram no enquadramento de parte dos fatos em dispositivos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente relacionados à exposição de menores a situações de constrangimento e vexame. Um dos episódios investigados também recebeu tipificação distinta em razão da idade da vítima no momento do fato.
A Secretaria de Educação de Goiás informou que, assim que as denúncias chegaram ao conhecimento da administração escolar e da coordenação regional responsável, foi determinada a apuração imediata dos fatos. O vínculo do professor, que atuava por contrato temporário, foi encerrado em 8 de abril de 2026.
Ainda segundo a pasta, a escola passou a oferecer suporte aos estudantes por meio dos programas de acolhimento disponíveis na rede estadual e permanece à disposição das autoridades para colaborar com o andamento das investigações.
O caso segue agora sob análise da Justiça, que deverá avaliar os elementos reunidos durante a investigação policial e definir os próximos passos do processo.